Sargento da PM mata a tiros jovem de 20 anos após briga de bar no Itapoã

Sargento da PM mata a tiros jovem de 20 anos após briga de bar no Itapoã

CORREIO BRAZILIENSE

O policial se apresentou espontaneamente na delegacia e alegou que o jovem tentou roubar a arma dele. Uma testemunha relatou que houve briga dele com a vítima




Íthallo Matias, 20 anos, não tinha antecedentes criminais e morreu ao ser baleado por um PM após uma discussão(foto: Arquivo Pessoal)



Um sargento da Polícia Militar se apresentou à 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá) na madrugada desta sexta-feira (28/6) informando que havia reagido a uma tentativa de roubo que resultou em uma morte. A vítima, Ithallo Matias Gomes, de 20 anos, foi alvejada dentro de um bar da Quadra 47, do Itapoã, e morreu no Hospital Regional do Paranoá (HRP). Porém, Júlia*, uma jovem que mantinha relacionamento amoroso com o autor dos disparos, relatou que não houve qualquer roubo. Segundo ela, o sargento atirou em Ithallo após uma briga no estabelecimento. O jovem não tinha antecedentes criminais. 

O caso aconteceu por volta da 1h da madrugada. A mulher informou na delegacia que foi ao bar às 23h30 de quinta com uma colega e mais três rapazes que ela ainda não conhecia. Momentos depois, o policial chegou. Ele encontrou Júlia e os dois se abraçaram. Como os jovens que estavam com a garota não conheciam o sargento e não sabiam da relação dos dois, acharam que ele a estava perturbando e foram "tirar satisfação".





















Nessa hora uma confusão se iniciou. O PM, que estava com mais dois amigos, trocou empurrões e puxões de camisa com os conhecidos da colega de Júlia. Ela tentou explicar tudo e chegou a gritar dizendo que ele era policial e estava armado, mas os homens continuaram a briga e um deles deu um soco no rosto do sargento. Armado, ele foi em direção ao agressor e desferiu um disparo. 
 
Em depoimento, o acusado de homicídio apresentou outra versão. De acordo com o sargento, ao sair do bar ele foi abordado por um indivíduo que se aproximou repentinamente e tentou tomar sua arma de fogo. O revólver estava em sua cintura e o disparo teria sido acidentalmente, enquanto o suposto assaltante tentava puxar a arma. O acusado não citou a presença de Júlia. Segundo ela, os dois possuem um relacionamento, mas ele é casado com outra mulher e tem filhos.
 
O crime está sendo investigado como tentativa de homicídio. A PCDF não conseguiu realizar a perícia do crime, pois o dono do estabelecimento já havia limpado todo o local antes dos investigadores chegaram. "O ambiente do crime fala muito sobre o que aconteceu. O fato do dono ter desfeito a cena, ter limpado o sangue, vai dificultar o trabalho pericial, então ele também será ouvido para explicar essa situação, que não é comum", afirma a delegada Jane Klébia.
 
A Policia Militar do Distrito Federal (PMDF) informou, por meio de nota, que, de acordo com as apurações iniciais acerca da ocorrência, "tanto o policial como o proprietário do estabelecimento onde ocorreu o fato, alegam que o indivíduo tentou roubar a arma do sargento, que agiu em legitima defesa". "O Policial não foi preso e o fato está sendo investigado", finalizou o texto.

* Nome fictício. 
CORREIO BRAZILIENSE

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