Palocci delata propinas de R$ 333 mi de mais de 20 empresas a políticos

Palocci delata propinas de R$ 333 mi de mais de 20 empresas a políticos
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26.set.2016 - O ex-ministro Antonio Palocci
A delação do ex-ministro Antonio Palocci aponta uma sucessão de ilícitos e propinas, que chegam a R$ 333,59 milhões, supostamente arrecadadas e repassadas por empresas, bancos e indústrias a políticos e partidos nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
Palocci fala em "organização criminosa" do partido e aponta situações relativas a um período de pelo menos 12 anos (2002-2014), informa reportagem de O Estado de S. Paulo.

São 23 relatos do ex-ministro, que passam por grandes obras de infraestrutura, contratos fictícios, doações por meio de caixa dois a campanhas eleitorais, liberação de recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e de créditos do Banco do Brasil, criação de fundos de investimentos, fusões e elaboração de medidas provisórias para favorecer conglomerados.

Palocci fechou acordo de delação premiada com a Polícia Federal na Operação Lava Jato. Ele foi preso em setembro de 2016, na Operação Omertà, e condenado pelo então juiz Sergio Moro a 12 anos e dois meses de reclusão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Palocci saiu da prisão em novembro de 2018.

Entre outros capítulos importantes, Palocci joga luz sobre a operação deflagrada pela Polícia Federal em 2009, a Castelo de Areia. Na ocasião, os investigadores puseram as mãos em documentos que indicavam repasses da empreiteira Camargo Correa a políticos, mas o caso foi arquivado pelo Superior Tribunal de Justiça sob argumento de que o início do inquérito teve base em denúncia anônima.

Na delação, o ex-ministro dedica o Termo 6 para esmiuçar "o pagamento indevido de R$ 50 milhões, por parte do Grupo Camargo Corrêa, às campanhas do PT no pleito do ano de 2010 e para o qual concorrera a ex-presidente Dilma Rousseff, com objetivo de obter auxílio do governo federal na anulação da Castelo de Areia".

O PT diz que nada que Palocci diga tem credibilidade. "Ele negociou com a Polícia Federal, no âmbito da Lava Jato, um pacote de mentiras para escapar da cadeia e usufruir de dezenas de milhões em valores que haviam sido bloqueados", afirma o partido.

Luciano Coutinho, ex-presidente do BNDES, diz que Palocci "mente de forma descarada e sem escrúpulos".
O Grupo Camargo Corrêa e o Banco do Brasil não se manifestaram sobre a delação.

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