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Quando a tristeza não vai embora: entenda a depressão em adolescentes

Quando a tristeza não vai embora: entenda a depressão em adolescentes

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Morte de Yasmim Gabrielle, ex-assistente de Raul Gil, aos 17 anos, trouxe debate sobre saúde mental juvenil
De repente, a estudante Melissa* não conseguia mais ir à escola. O rendimento caiu. De aluna mediana, passou a ser a que tira notas baixas. Até mesmo o curso de teatro, sua grande paixão, foi deixado de lado. Aos 14 anos, Melissa adoeceu. 
Só sentia desânimo. Uma tristeza profunda – que não ia embora, nem parava de crescer. Em um episódio de crise, chorou como nunca. Assustada, arranhou o próprio corpo. Foi quando a psicóloga que a acompanhava desde a infância indicou que os pais a encaminhassem a um psiquiatra. Daí veio a resposta: Melissa tinha sintomas de depressão e ansiedade. 
A situação dela esconde um drama cada vez mais conhecido entre adolescentes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em todo o mundo, entre 10% e 20% das pessoas com idades entre 10 e 19 anos vivenciem problemas de saúde mental - ainda que esses problemas nem sempre sejam diagnosticados ou tratados de forma adequada. 
Em muitos casos, transtornos mentais são negligenciados por motivos que vão desde a falta de conhecimento até o preconceito. Quase metade dos casos de problemas de saúde mental começa justamente por volta dos 14 anos, de acordo com a própria OMS. 
Há 15 dias, o tema ganhou atenção no noticiário nacional após a divulgação da morte da ex-artista mirim Yasmim Gabrielle, que participava do programa de Raul Gil. Segundo amigos, a jovem de 17 anos sofria de depressão. A suspeita da polícia é de que ela cometeu suicídio. 
É comum que a depressão surja no fim da adolescência ou no início da vida adulta – biologicamente, é quando o cérebro está terminando o processo de amadurecimento. Um dos principais sinais de que isso está acontecendo é a percepção de que a pessoa não é mais a mesma. Algo nela mudou. 
“Seja no final da adolescência, seja no início da vida adulta, a gente chama (a depressão) de transtorno mental porque é uma interação da predisposição genética – 50% vêm da influência dos genes – com a maneira como a pessoa foi criada, com estratégias de enfrentamento, e os gatilhos”, explica o psiquiatra Victor Pablo, da Clínica Holiste. 
Os ‘estressores’, espécie de gatilhos, são comuns no fim da adolescência. É bem nessa fase que muitos jovens começam a definir responsabilidades, enquanto uma parcela considerável começa a abusar de substâncias psicoativas. 
Começou pequeno
No caso de Melissa, os primeiros sintomas vieram de forma sorrateira. No início, quando tinha uns 13 anos, parecia algo pequeno. Nem mesmo achou que valia comentar com alguém.
“Mas só foi piorando. Eu deixava de fazer tudo que eu gostava – até a arte. Eu me sentia muito triste, desmotivada. Sentia que as pessoas não gostavam de mim”, contou a estudante, hoje com 16 anos. 
A mãe de Melissa, Lívia*, decidiu levá-la a um psicólogo pela primeira vez, quando a filha tinha 8 anos. Na época, Melissa tinha desenvolvido uma fobia intensa de elevador. Certa vez, a profissional disse algo que marcou a mãe: a menina não queria crescer. Era como se quisesse ficar sempre debaixo das asas da família. 
Na adolescência, quando percebeu a queda de rendimento escolar da filha, Lívia teve que encarar um dilema. Não sabia o quanto daquela situação era, de fato, sofrimento e o quanto era imaturidade ou dramatização da própria idade. 
Em casa, teve que equilibrar outra situação: o filho mais novo, hoje com 12 anos, não entendia como a irmã ‘podia’ passar dias sem ir à escola, enquanto ele não podia ficar sem fazer o dever ou seria punido. 
O diagnóstico definitivo nunca veio. O psiquiatra começou a investigar o problema, mas explicou à família que, naquela idade, era complicado. “Foi muito difícil. Quando acontecem as crises mais fortes, é como se ela sentisse 10 e expressasse 50. Isso desestrutura a família toda, porque os pais sofrem junto”, admite Lívia. 
Aos poucos, ao longo do tratamento, Melissa foi se abrindo com a família e amigos mais próximos. Percebeu que estava passando por algo mais comum entre adolescentes do que imaginava. Hoje, são os familiares e os amigos quem mais a apoia. Até o irmão caçula, que não entendia alguns comportamentos, é apontado por ela como uma de suas bases. 
No teatro, conseguiu se reencontrar. “Uma das coisas que mais me ajudaram foi a arte. Foi como uma válvula de escape. É absurdo o quanto você começa a se conhecer mais quando você atua”, diz a estudante, que pretende usar a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para cursar Artes Cênicas no próximo ano. 
Instabilidade
Por si só, a adolescência já é uma fase delicada. Do ponto de vista biológico, coincide com a puberdade, que marca a transição da infância para a vida adulta. Para a OMS, é entendida como o período dos 10 aos 19 anos, embora o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) defina que são adolescentes as pessoas com idades entre 12 e 18 anos. 
E, ainda que se fale em ‘adolescência’ como uma coisa só, essa fase envolve adolescências plurais – que, por sua vez, dependem de contextos socioculturais e econômicos individuais. Para a psicóloga Vládia Jucá, professora do Instituto de Psicologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), a própria concepção de que a adolescência é uma etapa do desenvolvimento precisa ser vista de forma crítica. 
“Parece que vem tudo naturalmente e, com o tempo, vem a adultez. Mas, na nossa compreensão da psicanálise, a adolescência é um tempo de intenso trabalho psíquico”, pondera a psicóloga, que também é professora do Instituto de Psicologia da Ufba.
Isso porque as relações que foram fundamentais na infância passam a ser revisadas, enquanto o adolescente começa a viver separações necessárias e ganhar autonomia. 
De qualquer forma, especialistas defendem que é uma fase de ‘instabilidade psíquica’. É o momento em que os jovens precisam lidar com mudanças que vão desde a primeira menstruação até a confirmação de que serão responsáveis por si mesmos. 
“Eles já começam a bancar e sustentar os próprios atos. Isso também mobiliza e direciona para o mundo, porque eles começam a buscar grupos, namorar, ter a primeira experiência sexual e a se deparar com algumas frustrações”, destaca a psicóloga Daniela Araújo, coordenadora do núcleo infantojuvenil da Clínica Holiste. 
Ao mesmo tempo, os adolescentes vivem uma descarga de hormônios que é padrão para a faixa etária adulta, mas dentro de um organismo que ainda não se desenvolveu. “Muitas vezes, você tem um organismo que ainda não se desenvolveu, que não houve um amadurecimento do sistema nervoso central, e tem uma pessoa com responsabilidades de adulto, mas que tem que seguir ordens como uma criança”, pontua o psiquiatra Victor Pablo. 
Mas, de fato, essas transformações todas não causam estranhamento apenas entre os próprios adolescentes. De repente, a maioria dos pais se vê com um questionamento: onde está a criança que estava aqui? Segundo a psicóloga Vládia Jucá, professora da Ufba, os pais também precisam elaborar um “luto”. 
“Você tem alguns aspectos como a dimensão da sexualidade, a intensificação de processos de identificação de gênero – que trazem mais liberdade, mas também geram angústia. Mas não é legal essa ideia de que os pais devem ficar num sentido de espera, de ver o problema se instaurar”, explica Vládia. 
Diferente de tristeza
É comum que os adolescentes busquem referências ao próprio comportamento na produção cultural de cada época. Hoje, isso também acontece com as redes sociais. Nos anos 2000, o estilo musical ‘emo’ (de emocore) se popularizou com bandas como My Chemical Romance, Paramore e Panic! At the Disco – todas com um rock melódico, com letras confessionais e emotivas.
Já na década de 2010, o emo começou a fazer sucesso em outra vertente: o rap. Lil Peep e XXXTentacion são alguns dos artistas que encabeçaram esse movimento – o primeiro morreu de overdose, em 2017, enquanto o segundo foi morto em um assalto, no ano passado. Lil Peep, inclusive, é um dos artistas mais ouvidos por adolescentes como Melissa. Além dele, a jovem, fã do gênero, gosta do japonês Joji e do brasileiro Yoñlu, que cometeu suicídio em 2006, lançando um álbum póstumo em 2009. 
“O adolescente vai buscar espelhos, mas não dá para dizer que é a música ou a rede social que provoca algo, porque não são só os adolescentes que estão deprimindo. Tem muitos adultos que estão deprimindo. Há de se pensar o que está acontecendo na contemporaneidade que tem feito tanta gente adoecer”, diz a psicóloga Vládia Jucá. 
Com a música, é como se fosse um movimento em busca de um idioma – uma língua que possa expressar suas angústias. Mas os pais não devem se assustar com esses gêneros. Pelo contrário: a recomendação da psicóloga é de que os pais conheçam o tipo de música que os filhos gostam, sempre numa conversa. 
“Num bate-papo, sem se assustar, porque a adolescência implica em um certo luto, num luto de determinadas relações. Então, tem um certo traço que faz parte. A depressão já implica numa outra coisa, que é a falta de vontade de fazer qualquer coisa e que tem impacto nas funções básicas, como alimentação e sono”. 
Mas é importante lembrar que tristeza não é a mesma coisa que depressão. A doença é diferente de um sentimento momentâneo: é uma tristeza permanente. A psiquiatra Lorena Azi, do Hospital São Rafael e do Hospital das Clínicas, pondera que vivemos em uma sociedade com perspectivas menos estruturadas. Isso, portanto, facilita uma sensação de desamparo dos jovens. 
“Não se sabe exatamente o motivo do aumento da prevalência de depressão, nem do aumento das tentativas de suicídio. A explicação clara disso não temos, mas temos que pensar que isso tem a ver com alterações biológicas e também alterações ambientais”, diz a psiquiatra Lorena Azi. 
No ano passado, um estudo de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Federal do ABC (Ufabc) revelou que uma alteração no funcionamento da rede cerebral - mais especificamente, na área associada à recompensa - pode estar ligada à depressão em adolescentes. 
Depois de acompanhar 529 crianças e adolescentes brasileiros por pelo menos três anos, os pesquisadores identificaram que, entre aqueles que tinham a rede cerebral de recompensa mais ativa e com pontos mais conectados, o risco de desenvolver depressão era 54% maior do que naqueles que não tinham. A rede de recompensa é a que processa as sensações de prazer no cérebro.
Na escola
O comportamento dos adolescentes na escola pode ser uma forma de identificar se há algum sinal de sofrimento psíquico. Assim como aconteceu com Melissa, é possível que a queda de rendimento e as ausências sejam indicadores do problema. 
No Colégio Vitória-Régia, a orientadora educacional do Ensino Médio, Viviane Santana, explica que toda a equipe é preparada para perceber ausências dos alunos e entrar em contato com a família. Atrasos e mudanças de comportamento também costumam ser notados. 
“A escola trabalha com a prevenção, trabalhando a empatia, mas, se há algo que diverge dessa observação, a família é automaticamente sinalizada. Se houver possibilidade, a gente orienta que haja um encaminhamento para o médico ou algum psicopedagogo, para que haja uma análise do que a gente supõe que pode estar acontecendo”, diz a orientadora. 
Na rede municipal, a psicóloga e técnica da coordenadoria de inclusão educacional da Secretaria Municipal de Educação (Smed), Jamylle Carvalho, explica que as escolas são orientadas a estar atentas a mudanças de comportamento como agressividade, pessimismo, apatia e isolamento. 
“A orientação é chamar a família para conversar, além de trabalhar em rodas de conversa e discutir o assunto com eles. Quando vier um diagnóstico, a própria escola pode encaminhar tanto para o psicólogo quanto o psiquiatra na rede de assistência, como os Cras (Centros de Referência e Assistência Social), Caps (Centros de Atenção Psicossocial) e Multicentros”. 
Na rede estadual, projetos como o desenvolvido na Escola Estadual Lomanto Júnior, em Itapuã, têm se destacado para promover o autoconhecimento dos alunos. Com o conteúdo dividido em projetos, a instituição implantou, em 2019, a disciplina Introdução à Consciência para alunos de Ensino Fundamental e Médio. 
“A partir dela, pretendemos construir a autopercepção do ser humano quando ele se insere no universo”, aponta o diretor da escola, Ricardo Monteiro. Quando algum problema é identificado, a primeira atitude também é chamar a família.
“A dificuldade maior que temos é quando a família não entende que não é uma birra ou uma teimosia, mas um problema que precisa de assistência específica”, afirma Monteiro. 
Essa negação, em um primeiro momento, é o desafio de outras escolas. Mesmo assim, a instituição não pode ser invasiva, como destaca o psicólogo Janilton Andrade, especialista em neuropsicologia do Instituto Dom de Educar (Rede FTC).
“A gente trabalha muito nesse aspecto de orientação e esclarecimento”, diz ele, que destaca que, além de professores, os próprios estudantes costumam chamar atenção para comportamentos de colegas, a partir de situações como postagens em redes sociais.  
Uma vez que o aluno é diagnosticado com depressão, a equipe pedagógica é informada de que é possível que, em alguns momentos, aquele estudante fique incapacitado de ir à escola.
“Ele não é penalizado. Se tiver alguma atividade pontuada, consegue fazer em outro momento, por exemplo. A escola não vai penalizar alguém que está em sofrimento”, reforça o psicólogo. 
Tratamento
Normalmente, a depressão é tratada com medicamentos e com psicoterapia. No entanto, também é possível associar o tratamento com outras alternativas. O próprio teatro, como foi o caso de Melissa, é uma das possibilidades citadas por especialistas, assim como a escrita, os esportes e a meditação. 
“Esses são lugares onde as pessoas encontram acolhimento e que sentem que podem aparecer como indivíduos autônomos, com um significado mais vivo. A depressão, de alguma maneira, aproxima a pessoa do que é mortificante. Por isso, se essas coisas têm uma função mais vivificante para a pessoa, a gente indica realmente que faça”, diz a psicóloga Daniela Araújo. 
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A depressão de Yasmim Gabrielle veio à tona após declarações de amigos e de pessoas que trabalharam com a adolescente. O próprio filho do apresentador Raul Gil, Raul Gil Júnior, foi um dos que comentaram o assunto. "Depressão é uma doença que está acabando com nossas crianças", escreveu, em uma rede social. 
A jovem já tinha sofrido com perdas próximas: o irmão morreu recentemente e a mãe faleceu em 2012, vítima de um câncer.
“Você tem vários fatores aí, como o fato de ela estar se aproximando do fim da adolescência e era uma estrela mirim, que é uma zona de risco. Há alguns relatos sobre a problemática nessa população de artistas, porque você tem muita pressão e muita oscilação por conta das frustrações”, destaca o psiquiatra Victor Pablo. 
Além disso, pessoas deprimidas podem ficar desmotivadas para pedir ajuda. Ou seja: não é incomum que, para reagir à situação, dependam da iniciativa de terceiros. “A perda da rede de apoio (a mãe e o irmão) pode ter levado a uma situação crítica”, opina o médico. 
Yasmim participou do programa do Raul Gil pela última vez em 2017 (Foto: Reprodução)
Em geral, existem idades em que há ‘picos’ de suicídio. Segundo o psiquiatra Victor Pablo, as principais são no início da vida adulta e no início da terceira idade. Em mulheres, esse momento tende a acontecer após os 21 anos. 
Isso porque adolescentes começam a ter experiências com substâncias psicoativas por volta dos 14 anos de idade – quanto maior o tempo de exposição a essas drogas, maior o risco de cometer suicídio. Por isso, quando a pessoa chega aos 21 anos, o risco está em níveis altos. 
Em geral, cerca de 15% das pessoas com depressão cometem suicídio. No entanto, mais de 90% das pessoas que se matam tinham alguma doença mental – sendo a depressão a principal delas. 
“Mas tem uma coisa: se a gente trata direito a saúde mental, a gente consegue prevenir o suicídio em nove a cada dez casos”, destaca a psiquiatra Mirian Gorender, professora dos cursos de Medicina da Ufba e da FTC e diretora da Associação Psiquiátrica da Bahia. 
Não dá para falar, porém, que os sintomas da depressão podem ‘progredir’ até chegar ao suicídio. Cada caso é um caso, ainda que o pensamento suicida seja um sintoma frequente na doença. 
“A gente está falando de uma doença física, não é uma questão emocional. É uma doença que tem caráter inflamatório, que afeta o corpo inteiro. Mesmo que a pessoa não venha a se matar, se a depressão não for tratada, pode afetar muito a qualidade de vida”, alerta Mirian.
No Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional por telefone e online, o atendimento a adolescentes é comum. No entanto, a entidade não tem estatísticas – inclusive, devido ao fato de o contato ser anônimo e sigiloso. 
“A gente não faz anotações, mas pelo teor da conversa, pelo que eles falam, a gente percebe que é adolescente, que é jovem. Eles estão numa fase que é difícil de entender o que estão sentindo e, no CVV, a gente tenta facilitar esse diálogo”, explica a voluntária e divulgadora do CVV na Bahia, Josiana Rocha. 
De julho do ano passado para cá, o atendimento do CVV acontece através de uma linha nacional – o número 188. A ligação é gratuita e pode ser feita 24 horas por dia, mas a pessoa pode ser atendida por qualquer voluntário do Brasil. Hoje, na Bahia, apenas 31 voluntários atuam no CVV. Para se tornar um voluntário, basta entrar em contato com a entidade, fazer um treinamento e assumir um turno semanal de cinco horas. 
Desde 2017, os debates sobre o suicídio de adolescente aumentaram com o lançamento da série 13 Reasons Why, produzida pela Netflix. A obra, que foi renovada para a terceira temporada, tenta reconstituir os momentos anteriores ao suicídio da protagonista. 
Esta semana, um estudo feito em conjunto por diversas universidades e hospitais dos Estados Unidos e o Instituto Nacional de Saúde Mental daquele país revelou que a série pode estar associada ao aumento nos índices de suícido entre crianças e adolescentes. Em abril de 2017, mês seguinte ao lançamento da série pela Netflix, os casos de suicídio nos EUA cresceram 28,9%. 
A primeira temporada de 13 Reasons Why, da Netflix, abordou o suicídio de Hannah, interpretada por Katherine Langford (Foto: Reprodução)
“Nesse contexto, o suicídio da moça aparece como se fosse um efeito para o qual não tivesse outra alternativa de desfecho, para considerar o suicídio como uma saída. Mas ela teria outra saída. E a apologia que ela faz, a culpabilização do outro (pelo suicídio) não é normal, não é ‘ok’. Isso é certamente patológico”,alerta a psiquiatra Lorena Azi, médica do Hospital São Rafael e do Hospital das Clínicas. 
Para a médica, existem, hoje, dificuldades em lidar com a frustração. Por isso, a recomendação é que os pais digam ‘não’ aos filhos, quando for o momento. “Nem todo desenho que meu filho faz é lindo e maravilhoso, nem todo comportamento que meu filho tem é legal e ele precisa saber disso. Ficar frustrado é necessário”, destaca. 

O que os pais podem observar sobre o comportamento dos filhos 
- Se a filha ou o filho passa a apresentar mudanças de comportamento – como buscar o isolamento dos próprios amigos. Normalmente, nessa idade, ainda que muitos se fechem para os pais, isso não costuma acontecer com os grupos de pessoas da mesma faixa etária. 
- Se o adolescente passa mais do que quatro semanas aparentando estar triste durante todo o tempo. 
- Identificar quando a filha ou o filho deixa de ter autocuidado, perda de apetite ou começa a ter falas mórbidas.
O que os professores podem observar sobre os estudantes 
- Se o estudante começa a ter sucessivos atrasos ou começa a faltar aulas.
- Se há queda de rendimento, a exemplo da queda das notas. 
- Se o estudante fica isolado dos colegas ou se tem comportamentos como chorar em sala de aula. 
Lista de locais que oferecem apoio e tratamento gratuitos ou por valores sociais em Salvador
Centro de Valorização da Vida (CVV): Oferece apoio emocional. O atendimento é através do telefone 188, funciona 24 horas por dia.
Unijorge: Oferece apoio psicológico gratuito, no campus da Avenida Paralela, em Salvador, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 22h, e aos sábados das 8h às 12h. Tel.: 3206-8489.
Universidade Federal da Bahia (Ufba): Oferece tratamento psicológico e terapia gratuitos na Estrada de São Lázaro, 170, São Lázaro. Tel.: 3235-4589.
Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública: Oferece gratuitamente sessões com psicólogos na Clínica de Psicologia, na Avenida Dom João VI, 275, em Brotas. Tel.: 3276-8259.
Instituto Junguiano da Bahia (IJBA): Sessões de terapia junguiana com valores sociais (abaixo de R$ 50) na Alameda Bons Ares, 15, Candeal. Tel.: 3043-7049.
Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC): Psicoterapia gratuita individual, grupal e familiar no campus da Avenida Paralela, 8812 (Tel.: 3281-8073), e
no campus do Comércio, na Praça da Inglaterra, 6, Edf. Big (Tel.: 3241-6892).
Uniruy Wyden: Atendimento gratuito de psicologia no Núcleo Integrado de Saúde, que funciona no campus Paralela. A inscrição pode ser feita no campus Rio Vermelho ou através do telefone (71) 3205-1745.
Unifacs: O atendimento acontece no Núcleo de Estudos e Perícias Psicológicas (Neppi), que fica na Rua Cardeal da Silva, 132, na Federação. 
Os telefones são: (71) 3271-8119 (recepção) e (71) 3273-9561 (coordenação). 
*Nomes fictícios
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